Repassamos a história do maior artilheiro da história do City em seu clube anterior, nosso próximo adversário na Liga dos Campeões

“Não me assusta e estou tranquilo porque aqui (na Espanha) é igual lá (na Argentina). Estou com fome de ser campeão e vou fazer o meu melhor para conseguir. Não tenho que sentir pressão. Só tenho que entrar em campo e jogar”.

Transmitindo sua habitual calma, Sergio Agüero apresentou-se ao público colchonero no Estádio Vicente Calderón em 5 de junho de 2006. Apenas 1.000 pessoas assistiram à apresentação de Kun, mas os números devem ser contextualizados.

Com apenas 18 anos, o nome de Sergio Agüero ainda era desconhecido na Europa. Sabia-se que era um jovem prodígio que quebrou recordes (aos 15 anos e um mês já havia superado Maradona como o mais jovem a estrear na Liga Argentina), mas, de certa forma, era uma incógnita.

No entanto, o Atlético de Madrid acreditou (muito) no seu potencial e pagou a transferência mais cara da história do clube na altura: 23 milhões de euros para o Club Atlético Independiente.

Recentemente, em entrevista ao streamer Ibai Llanos, Kun falou sobre o que significava deixar sua Argentina natal: “Naquela época eu não queria sair do Independiente. Eu era muito jovem, 18 anos, muito familiarizado ... Eu sabia que, se fosse embora, perderia minha conexão com a família. Mas meus companheiros de equipe me fizeram ver que era a melhor coisa para mim e fui. Quando assinei o contrato com o Atlético, minha mãe começou a chorar “.

 TEMPORADA DE ADAPTAÇÃO COMPLICADA

Quando um jogador chega a um novo clube com a transferência mais cara de sua história, há uma grande desvantagem: as expectativas são muito altas e os torcedores geralmente querem retornos imediatos. Isso às vezes pode criar pressão excessiva para o jogador. Ainda mais quando você tem 18 anos.

Naquela primeira temporada, 2006-2007, além disso, Kun não teve o papel habitual de centroavante. Essa tarefa ficou reservada ao grande ídolo do clube, uma das grandes lendas da história colchonera: Fernando Torres, “El Niño”.

Um Fernando Torres que desde o primeiro momento o adotou com um sorriso e atuou como mentor. Aliás,, Kun copiou a tatuagem de Torres em seu antebraço. Ambos têm seus respectivos nomes tatuados no alfabeto élfico.

O Atlético de Madrid estava longe do que é hoje, e mais ainda desde a chegada de Cholo Simeone nos últimos 10 anos. Eles costumavam ser um time do meio da tabela. De fato, no início do século 21 eles haviam pisado na Segunda Divisão.

O Atlético daquela temporada ficou em sétimo lugar na Liga Espanhola, com números tímidos de Kun: 6 gols em seus 38 jogos, nos quais ele também não foi titular regular. 13 vezes entrou do banco naquela temporada.

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IDA DE FERNANDO TORRES PARA O LIVERPOOL FOI UMA REFERÊNCIA

O verão de 2007 foi muito agitado para o Atlético de Madrid. Aquele que era capitão da equipe desde os 19 anos, Fernando Torres, resolveu fazer as malas para partir para um projeto mais competitivo. Recém vice-campeão da Liga dos Campeões, o Liverpool, bateu à porta e “El Niño” queria dar o salto para a Premier League.

Sem sua pedra angular, como o Atlético de Madrid poderia reestruturar sua equipe? Bem, dando mais tempo para Kun, que se tornou a principal referência ofensiva do time madridista, formando uma dupla junto com a nova contratação daquela temporada para substituir Torres: Diego Forlán.

Juntos, marcaram 35 gols no Campeonato Espanhol (19 de Agüero e 16 de Forlán). O Atlético de Madrid conseguiu terminar em quarto naquela temporada, classificando-se para a Liga dos Campeões pela primeira vez nos últimos 12 anos.

A partir dessa temporada, se um jogo em particular precisa ser destacado, uma das primeiras atuações com que Kun conquistou os holofotes do futebol mundial foi contra o FC Barcelona no Vicente Calderón. O argentino marcou dois gols, deu uma assistência e causou um pênalti na vitória por 4 a 2 sobre os “culés”.

Nessa campanha, mesmo sem o saber, estavam a ser lançadas as bases para um Atlético de Madrid de muito sucesso.

Sucessos que seguiriam ma temporada 2008-2009. O time de Madrid repetiria a quarta posição na Liga espanhola. 32 gols de  Forlán e 17 de Kun.

Curiosamente, nessa temporada, Agüero voltou a destacar-se no Vicente Calderón frente ao FC Barcelona, ​​com dois gols do argentino e do uruguaio.

CAMPEÃO DA LIGA EUROPA E DA supercopa da EUROPa

A quarta temporada de Kun, 2009-2010, foi a de maior sucesso no clube. Apesar de terminar em nono no Campeonato Espanhol, naquela campanha, o Atlético de Madrid conquistou a primeira Liga Europa de sua história.

Qualificado depois de terminar em terceiro na fase de grupos da Liga dos Campeões, o Atlético venceu a competição de forma épica. Passou de forma incrível frente ao Sporting de Portugal; nas quartas-de-final frente ao Valência; e na semifinal contra o Liverpool.

Na final, diante do Fulham, emoções fortes também não poderiam faltar. O Atlético venceu os londrinos nos acréscimos por 2-1, com dois gols de um Forlán em estado de graça nessa época, assistido em ambas as ocasiões por Kun.

Nesse mesmo verão de 2010, o Atlético de Madrid culminou uma temporada europeia espetacular ao derrotar o campeão da Liga dos Campeões, a Inter de Milão, na Supercopa da Europa, por 0 a 2, com um gol e uma assistência de Agüero.

UMA SAÍDA NECESSÁRIA para o ATLÉTICO CONTINUAR CRESCENDO

Apesar dos sucessos europeus da temporada anterior, a quinta temporada de Sergio Agüero no Atlético de Madrid seria a última.

Os colchoneros terminaram em sétimo naquela temporada na Liga Espanhola e foram eliminados na fase de grupos da Liga Europa.

O projeto deu uma sensação de muito desgaste e Kun aumentou claramente seu desempenho temporada após temporada. Ele terminou com 20 gols naquela Liga, atrás apenas de Cristiano Ronaldo e Messi. O argentino sentiu que precisava de desafios maiores.

No final da temporada, Agüero publicou uma carta em seu site oficial intitulada “A hora de partir” na qual se despedia dos torcedores:

“Falei há algum tempo que quando quisesse sair, diria publicamente. E esse momento chegou. É por isso que mantenho minha palavra e aqui estou. É difícil para mim deixar o Atleti. Dói e Deixa-me triste”.

Após cinco temporadas, Kun deixou 101 gols e 45 assistências em 234 jogos com o Atlético de Madrid. Números de crack.

No verão de 2011, apesar dos cantos de sereia do Real Madrid, o City levou Agüero por cerca de 43 milhões de euros. E o resto... O resto é história. O melhor de Kun ainda estava por vir. E veio!

Por sua vez, o Atlético de Madrid contratou jogadores como Falcao, Arda Turan, Courtois e Miranda naquele verão. El Cholo chegou em dezembro do mesmo ano. O resto também é história. História de ouro do Atlético, nosso próximo rival nas quartas de final da Liga dos Campeões.