Nosso atacante é agora o único representante do City na Copa do Mundo do Catar.

No próximo domingo, 18 de Dezembro, a Argentina entra em campo contra a França pela final da Copa do Mundo do Catar. Em jogo, o tão sonhado tricampeonato mundial e a chance de colocar a terceira estrela dourada na camisa alviceleste. Com certeza, uma obsessão para nosso atacante Julián Álvarez, também conhecido como La Araña (aranha), que quando pisar no gramado do estádio Lusail estará carregando com ele a energia de um país de 45 milhões de habitantes. 

Porém, a Copa do Mundo ganhou contornos de drama para Julián e sua Argentina logo na estreia, quando uma das maiores zebras da história dos mundiais passeou pelo Catar. Vitória de virada da Arábia Saudita por 2 a 1, com o atacante do Manchester City começando no banco de reservas e substituindo o meia Papu Gómez aos 13 minutos da etapa final. Mesmo com a conhecida raça argentina, Julián não conseguiu mudar o destino daquele jogo e a partida seguinte já poderia eliminar os bicampeões do mundo caso perdessem para o México. 

Nos dois primeiros jogos da Copa, o técnico Lionel Scaloni optou por escalar Lautaro Martínez, centroavante da Internazionale de Milão, como referência do ataque argentino, deixando Julián Álvarez para o segundo tempo. Martínez chegou ao mundial do Catar credenciado principalmente pela temporada 2021-22 na Inter, quando marcou 25 gols e foi um dos artilheiros do campeonato italiano com 21 bolas na rede. No entanto, La Araña estava pedindo passagem e logo ganhou a confiança de Scaloni. 

Com cinco gols em meio ano de Manchester City na atual temporada europeia (três pela Premier League e dois pela Champions League), Julián tem chamado atenção pela rápida adaptação ao futebol inglês e agora está fazendo a diferença para a seleção da Argentina. Após entrar em campo aos 17 minutos do segundo tempo na partida contra o México, pela segunda rodada do Grupo C, o atacante do City recebeu uma oportunidade como titular no duelo contra a Polônia e não decepcionou. Aos 22 minutos do segundo tempo, recebeu dentro da área e bateu colocado, no ângulo de Szczesny, para fechar o placar em 2 a 0 e sacramentar a classificação da Argentina às oitavas de final. Foi o primeiro gol de Julián em Copas do Mundo e o começo de uma linda história. 

Depois, vieram os gols contra a Austrália, nas oitavas de final, e os dois gols importantíssimos na semifinal contra a Croácia. Com isso, a Argentina tornou-se a quinta seleção a chegar a uma final de copa mesmo depois de ser derrotada na estreia. Porém, apenas uma dessas seleções terminou com a tão cobiçada taça de campeão do mundo, a Espanha, em 2010, na África do Sul. A semifinal contra a Croácia também foi a quinta da alviceleste na história das copas, que sempre que chegou a essa fase avançou à final. 

No domingo, um garoto de 22 anos, nascido em Calchín, na província de Córdoba, formado nas categorias de base do Atlético Calchín e que despontou para o futebol no River Plate, terá uma oportunidade de ouro. A chance de ajudar o seu país a conquistar o tão sonhado tricampeonato mundial e fazer a alegria dos cerca de 2500 habitantes de sua cidade natal. Um dia que os argentinos esperam há 32 anos, quando Maradona e companhia ficaram no quase ao perder a final para a então Alemanha Ocidental por 1 a 0. 

os números e feitos de julián no catar

La Araña esteve em campo nos seis compromissos da Argentina na Copa do Mundo do Catar em 2022. São 409 minutos em campo no total e uma média de 68 minutos em campo. 

Julián já marcou quatro gols e é um dos vice-artilheiros do mundial, junto com Olivier Giroud, rival na final de domingo. Contudo, o que mais impressiona não são apenas os gols, mas sim a eficiência e a boa forma de La Araña no campo de ataque, comprovada pelos números. Até o momento, no Catar, o centroavante do City e da Argentina já tentou 10 finalizações ao gol, acertando sete no alvo, com dois chutes bloqueados e apenas uma bola para fora. 

E os bons números de Julián não param por aí. Com seus dois gols na semifinal contra a Croácia, juntou-se ao seleto grupo formado por seu compatriota Carlos Peucelle, o húngaro Gyula Zsengeller e Pelé, que até então eram os únicos jogadores a marcar dois gols em uma semifinal ou final de Copa do Mundo, em 1930, 1938 e 1958, respectivamente. Também empatou com Gonzalo Higuain como o maior artilheiro com menos de 22 anos da Argentina em uma edição de Copa do Mundo. Higuain anotou quatro gols naquele mundial na África do Sul. 

E não é só na hora de fazer gol que La Araña é destaque. Na Copa do Mundo, tem um bom índice de 78% de acerto nos passes, e também se mostra participativo em todas as ações do jogo, até mesmo no momento de defender e tentar recuperar a posse de bola. No Catar, já tentou cinco roubadas de bola, tendo sucesso em quatro delas, um aproveitamento de 80%. Um jogador fundamental no esquema de Lionel Scaloni. 

a explosão no river plate 

Quando foi comprado por um dos maiores clubes da América do Sul em 2016, vindo do Atlético Calchín, Julián tinha apenas 16 anos e talvez nem imaginasse tudo que viria a viver na carreira. Inicialmente, terminou sua formação nas categorias de base do River Plate e em 2018 foi promovido à equipe principal pelo técnico Marcelo Gallardo. Fez sua estreia pelo time principal dos Millonarios, apelido do River, em 27 de outubro de 2018, em um jogo da Primeira Divisão contra o Aldosivi. 

Ainda antes de anotar seu primeiro gol pelo clube de Buenos Aires, participou de um dos momentos mais icônicos da história do River, quando entrou aos seis minutos do primeiro tempo da prorrogação da final da Libertadores da América de 2018, contra o Boca Juniors, no que é o maior clássico da Argentina e um dos mais importantes do mundo. No jogo disputado em Madrid, ajudou os Millonarios a baterem o Boca por 3 a 1, levantando pela quarta vez a taça de campeão da Libertadores. 

O primeiro gol pelo River veio em março de 2019, em uma vitória por 3 a 0 contra o Independiente. Viveu também uma noite inesquecível em 25 de maio de 2022, quando fez seis gols no triunfo de 8 a 1 do River Plate contra o Alianza Lima, pela Libertadores. Com a camisa vermelha e branca, foram 122 partidas e 54 gols. Além disso, conquistou seis títulos pelo clube, entre eles a Libertadores de 2018, a Recopa Sul-Americana de 2019 e a Primeira Divisão do Campeonato Argentino em 2021.