“O garoto tem 19 anos e já é o camisa 9 do Brasil. Isso representa muito”.
A frase categórica é de Pep Guardiola sobre o seu novo pupilo, Gabriel Jesus. Fã declarado do futebol brasileiro por ter crescido ouvindo histórias contadas por pai e avôs, o técnico tem em mãos no Manchester City o centroavante mais promissor da Seleção nos últimos anos.
O entusiasmo com o jovem jogador também alcança um dos maiores atacantes que já vestiram a Amarelinha: Antônio de Oliveira Filho, mundialmente consagrado como Careca. “O Gabriel tem fome de fazer história, como já acontece no seu início de carreira”, diz em entrevista exclusiva no seu complexo esportivo, em Campinas, interior de São Paulo. “Nós estávamos carentes havia muito tempo de um camisa 9, então para ser respeitado no Brasil, é porque o cara é diferente”.
Centroavante titular da Seleção nas Copas de 1986 e 1990 e ausente da de 1982 por lesão de última hora, Careca até compara o início da trajetória de Gabriel Jesus com a camisa canarinho com a de Ronaldo, o último a ocupar a posição de forma incontestável.
“Ele lembra o Fenômeno pelo arranque, pela explosão com a bola. Não estou falando que é igual, mas parece”, enfatiza. “Quando ele sai em velocidade, tem uma arrancada muito forte, buscando sempre o gol como objetivo. Pelo faro de gol e pela presença de área, tem tudo para fazer história muito grande não só na Seleção, mas por onde passar, porque o biotipo dele é muito bom para um atacante”, acrescenta o vice-artilheiro do Mundial do México, com cinco gols.
“Na Olimpíada nós já esperávamos uma qualidade diferente com outros jogadores, além da afirmação na equipe de cima. Não sentiu o peso da responsabilidade, foi com muita coragem e tem se destacado com outros grandes jogadores da equipe principal”, completa o ex-atacante de São Paulo, Santos e Guarani.
Os números confirmam o encantamento de Careca. Sob o comando de Tite, Gabriel disputou seis partidas, marcou cinco gols e deu três assistências. Terminou 2016 como goleador da equipe ao lado de Philippe Coutinho e desbancou até Neymar, que pela primeira vez desde 2011 não terminou o ano no topo da artilharia.
A glória também se deu pelo Palmeiras, com o qual conquistou o Campeonato Brasileiro. No elenco alviverde, Gabriel teve Zé Roberto como principal referência em termos de profissionalismo e dedicação. Aos 42 anos, tem um currículo invejável: campeão em todos os países que atuou, ainda acumula duas Copas do Mundo na carreira: vice-campeão na França, em 1998, e eleito para a seleção da Fifa, em 2006, na Alemanha.
“Completei 22 anos de carreira como profissional, e neste período eu vivenciei vários jogadores jovens e com talento, só que o diferencial do Gabriel Jesus é a maturidade que ele tem mesmo que com pouca idade”, explica o lateral, na Academia de Futebol. “Ele é muito centrado a cada jogo e a cada treinamento. O diferencial dele para os demais é que ele tem o foco somente na sua profissão e isso é algo muito precioso para o futuro dele”.
E o que esperar dos próximos capítulos da carreira do Gabriel, Zé?
“Quando você vê um jogador com o potencial do Gabriel Jesus, titular da Seleção Brasileira aos 19 anos, a minha visão é dele disputar a próxima Copa do Mundo e ser protagonista na Rússia”.
Com o nome marcado na história de gigantes como Bayern de Munique e Real Madrid, o veterano recomendou a Gabriel que aprendesse a se comunicar inglês o quanto antes para acelerar a adaptação em Manchester. De resto...
“É só dar a camisa para ele, porque ele vai vestir com uma qualidade indispensável para dar muitas alegrias para os torcedores do City”.