O Estádio Etihad é parada obrigatória para os amantes de futebol em visita a Manchester. Entre eles está Rogério Ceni, lenda recém-aposentada do futebol brasileiro que, aos 42 anos, escolheu a Inglaterra para começar a preparação para a carreira de treinador. O eterno ídolo do São Paulo, maior goleiro-artilheiro da história do futebol (131 gols) e campeão da Copa do Mundo de 2002 visitou a casa do Manchester City na última sexta-feira, quando assistiu ao empate do sub-23 do City com o Manchester United em 1 a 1. A partida serviu de aperitivo para Ceni, já que no dia seguinte ele presenciou a vitória dos Blues no tão aguardado Derby em Old Trafford, por 2 a 1.
Antes de conhecer o belo estádio no leste da cidade, Rogério Ceni enalteceu o aprendizado que Gabriel Jesus vivenciará com Pep Guardiola a partir de 2017, elogiou a versatilidade de Fernandinho e, claro, ressaltou a importância da chegada de Claudio Bravo, pela excelente qualidade com a bola nos pés - uma das grandes virtudes de Ceni durante a sua carreira recheada de conquistas. Confira a entrevista exclusiva.
Você assiste à Premier League?
Neste início de campeonato eu tenho viajado bastante e não tenho assistido, mas sempre acompanhei. O ano passado foi um ano atípico, acredito que o City deu mais atenção à Champions League do que à Premier League. O Manchester United estava fora do normal, o Chelsea distraído, e surgiu um campeão inédito. E agora os maiores clubes, aqueles com maior poder de contratação, como o City, o United, Chelsea se reforçaram muito. Às vezes é bom quando acontece algo assim dentro de uma liga tão importante como essa, porque movimenta ainda mais a janela de contratações. Ao trazer um treinador com o conhecimento que o Guardiola tem, o City se coloca como um candidato não só a títulos dentro da Inglaterra, mas passa a montar um time para ser campeão da Champions League.
Nos últimos dias você se encontrou com diversos treinadores da Premier League. Alguém perguntou do Gabriel Jesus?
Sobre ele especificamente não, mas perguntaram se eu conhecia jogadores brasileiros para determinadas posições. Aqui em Manchester se deve falar mais sobre ele, porque, afinal de contas, foi o City quem contratou o jogador. Mas ele é um menino que tem tudo para fazer sucesso aqui. Ele tem credenciais não só pelo o que fez pela seleção brasileira, mas por tudo o que já apresentou pelo Palmeiras. É um jogador rápido, tem drible e finalização. Foi uma frase até do Guardiola que o City comprou gols ao contratá-lo. Ele tem tudo para se adaptar aqui, porque parece ser um bom menino. E claro vai ter um mestre e um grande professor como técnico, além dos dois brasileiros, Fernando e Fernandinho, que serão importantes na adaptação dele para o futuro.
Você citou o Fernandinho, titular absoluto e muito elogiado pelo Pep desde a pré-temporada. Qual a sua visão do futebol dele?
Muito bom jogador, um volante muito técnico com condição de jogar em mais de uma função no meio de campo. Tem marcação, chegada no ataque. Um jogador moderno, não à toa é um dos principais nomes da equipe e tem mantido a sua titularidade mesmo com a chegada de um cara tão exigente, que é o Guardiola. Isso acontece porque ele tem muito bom passe, arrancada, condução de bola. Está acostumado ao time. Acredito que, com a chegada do Guardiola, as contratações que fizeram e a melhora da produção da equipe, o Fernandinho tem tudo para voltar à seleção brasileira.
Claudio Bravo foi contratado muito pela qualidade que tem com os pés, algo que você fazia com excelência.
Para quem quer aplicar um futebol moderno e ser um time vencedor, é necessário que um goleiro não faça somente defesas. A maior participação de um goleiro no jogo é com os pés. O gramado aqui é impressionante, em todos os estádios e centros de treinamento que eu fui. Assim você não precisa olhar a bola, você olha o jogo, joga de cabeça erguida, inclusive o goleiro. Isso facilita muito na velocidade do jogo. Mesmo com toda a capacidade do Hart, não podemos negar a superioridade do Bravo em jogar com os pés. E ainda é bicampeão da Copa América e que com títulos pelo Barcelona.
Você é fã de rock. Como é estar na cidade do Oasis?
Gosto deles, é um som bacana, mas tenho mais conhecimento sobre as bandas da década de 70. Sou mais ACDC, Pink Floyd, Dire Straits, essas bandas das décadas de 60 e 70. Já estou ficando muito velho para aprender músicas das bandas mais recentes (risos).