Com ampla vantagem do técnico do City, rivalidade entre os dois grandes treinadores será retomada em Manchester, a capital mundial do futebol neste sábado.

“Don’t look back in anger”, do Oasis, “Charmless man”, do Blur, ou “Wannabe” das Spice Girls passaram várias semanas no top 10 das músicas mais tocadas no Reino Unido em 1996. “Football’s coming home”, o hino da Eurocopa que a Inglaterra organizaria naquele verão europeu, também chegou a liderar a lista.

Como acontecera 30 anos antes, em 1966, a Ilha Britânica voltava a chamar a atenção do mundo inteiro, tanto em termos musicais como futebolísticos. O mesmo valia para o Barcelona, que escolheu o inglês Bobby Robson como diretor da orquestra da sua equipe. Robson decidiu levar consigo um português de 33 anos como auxiliar. José Mourinho chegou a um vestiário cuja liderança era exercida por um meio-campista jovem, mas já de muito destaque e com formação na base blaugrana.

Pep Guardiola e José Mourinho se conheceriam e trabalhariam juntos em uma temporada que terminaria em conquista da Supercopa da Espanha, da Copa do Rei e da Recopa.

Vinte anos depois, Pep e José voltam a se encontrar. Agora na Inglaterra, neste sábado, em Old Trafford. Não será a primeira vez nestas duas décadas. Apesar das tensões, pelo caminho ficaram encontros surpreendentes e momentos históricos do futebol contemporâneo.

A primeira vez

O sorteio da Champions League 2009/10 colocou no mesmo grupo a Inter de Milão, dirigida por Mourinho, e o Barcelona, treinado por Pep. O primeiro encontro entre ambos aconteceu em uma noite de novembro, em Milão.

O enfrentamento entre dois homens que cuidam detalhadamente de cada passo da equipe resultou em uma batalha tática. Assim, o jogo terminou sem gols. “Vi duas excelentes equipes do ponto de vista defensivo”, declarou o português.

A partida no Camp Nou não teve Messi e Ibrahimovic. O Barça se impôs com uma atuação espetacular de Xavi. Gerard Piqué e Pedro garantiram o 2 a 0.

A revanche

“Como time, o Barcelona foi melhor do que nós, mas se tivéssemos que jogar de novo contra eles amanhã estaríamos prontos”, garantiu Mourinho depois da derrota na Espanha. “Se me disserem para jogar as semifinais contra o Barça, eu assinaria”.

E assim aconteceu. Na primavera europeia de 2010, o Barcelona voltou à Itália e foi capaz de deixar a sua marca, mas Sneijder empatou antes do intervalo. No retorno para o segundo tempo, os italianos alcançaram cenário muito favorável com mais dois gols.

Na volta, a Inter teve uma atuação histórica ao jogar mais de uma hora com um a menos após a expulsão de Thiago Motta. O gol de Piqué aos 39 minutos do segundo tempo não foi suficiente para os catalães chegarem à final pelo segundo ano seguido.

Mourinho

Um novo cenário

A relação entre Pep e José tomou uma nova direção quando o português se tornou técnico do Real Madrid. Os confrontos na liga espanhola intensificaram a rivalidade entre os clubes, além de convulsionar o contato entre os técnicos.

Em El Clásico, a rivalidade pessoal pegou fogo. Ainda mais depois da fantástica goleada por 5 a 0 do time de Guardiola no Camp Nou, um ano e quatro dias depois daquele empate em 0 a 0 entre Inter e Barcelona. “O melhor jogo que já joguei. Ainda fizemos um minutos de aplausos no vestiário após a partida”, contou Xavi tempos depois.

pepmou

Pep em ampla vantagem

O Derby de Manchester será a 17ª vez em que o catalão e o português se enfrentarão. O técnico do City ostenta ampla superioridade, com sete vitórias contra três. O retrospecto também aponta seis empates, incluindo o último jogo entre eles: a Supercopa da Europa em 2013 entre Bayern de Munique e Chelsea, vencida pelos bávaros nos pênaltis.